domingo, 20 de agosto de 2017

SEXTILHA


Viver pensando na gente

E desprezar os demais,

Não faz a gente contente

E nem nos enche de paz.

Pois quem ama a si somente,

Nem de amar-se ele é capaz.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

OS MEUS SEGREDOS


 

Nunca queiras saber os meus segredos,

Jamais desejes todos desvendá-los,

Poderiam levar-te a muitos medos,

Antes de ouvi-los é melhor calá-los;

 

Jesus já os perdoou, por que buscá-los?

Poderiam tirar-te os risos ledos,

Com que me alegras, vamos condená-los,

Definitivamente, a mil degredos.

 

Segredos são pecados, são deslizes,

São pústulas, são manchas, cicatrizes,

Só Deus, somente Deus deve os saber,

 

Por mais que te pareça muito estranho,

Somente um coração desse tamanho,

De perdoar-me, tem esse poder.

05/11/2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A IDEIA


De quando em quando pisca em nossa mente,

Aquela ideia – pisca e não clareia,

Não abre como um sol, brilhantemente,

Nem suave e branda como a lua cheia.


Mas fica ali... e renitentemente

Nem apaga, nem brilha, bruxuleia,

Hesitante em se abrir, pisca somente,

Como o sangue a pulsar dentro da veia.


Mas só partindo a bolsa que a contém

Pode mostrar a luz que lhe convém

Aos contornos sutis de sua arte.


Contorce-se na mente – serpenteia!

E vai evoluindo – é luz que anseia!

E pisca e pulsa e força e tenta e parte.

24/10/2012

INCOMPARÁVEL


 A vida se assemelha a quê? – Cogito.

Muitas comparações já foram feitas,

Deus a fez com virtudes (e perfeitas!),

Portanto, incomparável, tenho dito.


Entretanto as mazelas e as maleitas,

Foi pondo, o homem, nela – pôs conflito,

Os frutos do pecado vil, maldito,

Mentirosas verdades, muitas treitas.


Mesmo assim não consigo compará-la,

Falta-me sempre essa imaginação,

Falta-me a verve, o dom, falta-me a fala.


Acho-a ainda incomparável, bela!

E esse lado da vida é minha opção.

Eu vou morrer, mas com saudade dela.

09/09/2012



DIANTE DA LUA


                
Uma noite, eu me lembro, era verão,

E a lua era bonita como quê,

E nós a contemplávamos então,

Ambos bobos de amor, eu e você.


Tem muito tempo, mas não foi em vão,

Aquela cena, como você vê,

Ficou gravada no meu coração,

E nos meus olhos hoje ainda se lê.


Sem a força talvez daquele instante,

Sem a chama febril de um moço amante,

Mas de um velho que ainda o amor cultua,


E que fica morrendo de saudade,

Ao recordar a sua mocidade

Toda vez que se vê diante da lua.

04/09/2012



terça-feira, 31 de julho de 2012

ALGUMAS TROVAS



Se acaso eu não receber
Dez abraços, como avô,
Acho, não, se eu não morrer,
Vou ficar borocochô,

O tempo pode apagar
Até lembranças de um rosto,
Mas um momento invulgar,
Jamais será um sol posto.

Não a prendi no papel,
Bateu asas minha trova,
Que, como menina nova,
Era doce como o mel.

A gente passa depressa,
A mocidade se esvai,
E finalmente tropeça
No palco da vida, e cai.

O meu último desejo
Realizar eu preciso,
É sepultar o meu beijo
Na cova do teu sorriso.

Agora sei, com certeza,
a cor desse lindo olhar,
eu a vi na correnteza
das verdes ondas do mar.

Debalde já me dei tanto
Que nem me lembro de mim,
Mais eu faria, entretanto,
Novamente tudo, enfim.

Quintana disse-me a mim,
Usando as suas facetas,
Que eu cultivasse um jardim
E aguardasse as borboletas.

Se você faz uma trova,
Mesmo cheio de tristeza,
Dá-lhe forma, põe-lhe à prova,
Fica feliz, com certeza.

Eu vivo feliz, sorrindo,
Dizem que ando rindo à toa,
Que assim seja, ele é bem vindo,
O meu riso é coisa boa.

Meu pé de jabuticaba
Botou depois de trinta anos;
A esperança não se acaba,
Vou morrer fazendo planos.

Numa flor bonita e doce,
Uma abelha se deleita
A sugar, como se fosse
Sua última colheita.

Ouvi de todos os cantos
Aplausos ao PORTAL CEN,
Pelos seus dotes e encantos
Dissemos todos – AMÉM.

Que coisa boa, que paz,
Na cara desse pretinho,
Só de olhar pra ele faz
Muito bem. Que bonitinho!

Deus foi bom com seu Raymundo,
Que linda família tem
Sendo o mais feio do mundo
Sem merecer um vintém.

A esperança nunca morre,
Já diz um velho ditado;
Quem tem o Deus que socorre
Não fica desesperado.

Eu sei em quem tenho crido:
Em Jesus, meu Salvador,
Novamente fui nascido
Para a glória do Senhor.

Viajei no tempo, é vero,
E o fiz sem nenhum dolo,
Quando eu dançava bolero
No salão “Filhos de Apolo”.

È meu, é seu, de quem mais,
Nesses regatos serenos,
Quiser navegar em paz,
Em quatro versos pequenos.

Um amigo verdadeiro,
Assim como meu cachorro,
Procurei no mundo inteiro,
Cancei-me, quase que morro.

Seguro de si um gato,
Causou sensação enorme,
Quando, tranquilo, de fato,
Esparramado ele dorme.

Quanta saudade que tenho
Desse tio, meu velho amigo,
Quero conter, não contenho,
As lágrimas – não consigo.

Você com tanta vaidade,
E que tanto se pintou,
Atente a simplicidade
Dessa flor que Deus criou!

Minha neta ficou muda,
Não fala, não ri, não canta,
Ela está com crise aguda,
Coitadinha, de garganta.

Quem curte fazer o bem,
Quem pratica esse conceito,
Naturalmente que tem
Um pouco de Deus no peito.

Quando escrevo ou quando oro
Confesso os pecados meus,
E mais de que quando choro,
Fico mais perto de Deus.

Comece a escrever agora,
Escrever é começar,
Quando o pensamento aflora,
O papel é o seu lugar.

Se acaso eu não receber
Dez abraços, como avô,
Acho, não, se eu não morrer,
Vou ficar borocochô,

O tempo pode apagar
Até lembranças de um rosto,
Mas um momento invulgar,
Jamais será um sol posto.

Não a prendi no papel,
Bateu asas minha trova,
Que, como menina nova,
Era doce como o mel.



UMA TROVA PERDIDA


Na calada da noite um verso eu fiz,
Tal se de quatro cordas fosse a prima,
Não me importava o tema, apenas quis
Mostrar à noite escura a grande estima

Que nutre pela trova este aprendiz.
Travou-se no momento certo clima,
Ficaram tête-à-tête, vis-à-vis,
Da noite – a escuridão, do verso – a rima.

No vértice da terra o sol nasceu,
E a trova ficou pronta, ficou linda,
Do pouco que me lembro dela ainda,

Pois arribou tão logo amanheceu.
Se uma andorinha boa a achar, prometo,
Dar-lhe, por gratidão, este soneto.

Porteira Verde, 29/07/2012

segunda-feira, 23 de julho de 2012

FOI DEUS QUEM FEZ O MUNDO, E O FEZ EM CORES


Depois de pronta, Deus derramou tintas,

Sobre a face da terra, de mil cores,

Para que eu sinta e que também tu sintas

Seu grande amor olhando os beija-flores.



Eu vou falar e peço que consintas,

Amados meus, senhoras e senhores,

De mãos hábeis e mentes tão distintas,

Artistas do pincel, nobres pintores:



Não fora o amor de Deus por nós humanos,

Capazes de enxergar muitos matizes,

Teriam graça os céus e os oceanos?



E, beleza, a floresta e os seus cantores,

Sabiás, curiós, canários e perdizes,

Se não lhes desse Deus, diversas cores?

domingo, 15 de julho de 2012

UM HINO À MULHER


            
Por mais até que se queira,

E nunca ninguém o quer,

Prescinde-se a vida inteira

Da presença da mulher.



Mulher é coisa sagrada,

Foi tirada da costela,

Faz uma falta danada

Se a gente fica sem ela.



Tem quem se mate, quem morre,

Tem quem tenha depressão,

Se a mulher não lhe socorre

As dores do coração.



A mulher é coisa boa,

E companheira ela é,

De certo não foi à toa,

Não foi tirada do pé.



Deus a tirou da costela,

E a fez para ser amada,

No capricho fê-la bela

Pra ser nossa namorada.



Mas também Deus a fez santa

Porque mãe a fez também,

Se aos olhos do filho encanta,

Todo mundo diz amém.



É cantada e recantada

Por poeta e prosador,

É a perfeição encarnada,

Obra prima do Criador.



Sem o charme da mulher,

Que de vez em quando passa,

Teria o mundo sequer,

Por acaso, a menor graça?



Entendam, jamais diria,

Que o homem não tem valor,

Mas o homem sem Maria...

Paciência! É um horror!



Vamos tratar a mulher,

Esse ser quase divino,

Com amor, como Deus quer,

A mulher merece um hino.


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Trovas


Ao que canta, basta o canto,
para carpir sua dor,
para derramar seu pranto,
basta a trova ao trovador.


Na minha grande fraqueza,
num poço fundo, sem luz,
descobri a fortaleza,
da mão firme de Jesus.


Depois de tantas andanças,
ao velho restam seus ais,
voltar a velhas lembranças,
recordá-las, nada mais.


A trova não tem ciência:
carece de intuição,
um pouco de inteligência
e de muita inspiração.


O belo sol nascediço,
vem de luz encher meu quarto;
eu acordo, e me espreguiço,
e agradecido me farto.


Quem me dera um dedo só,
o menor da minha mão,
da paciência de Jô,
da fé que teve Abraão.


Não teriam mais sentido
meus sentidos sem você,
pois fico todo perdido
quando um deles não lhe vê.


Tem três fases na gaveta
da vida de um velho pai:
a de rei, a de careta,
e a de bom, quando ele vai.


A cor dos teus olhos faz
o que só fazem os vinhos:
Me embriaga e é bem capaz
de embriagar os vizinhos.


Se tenho amor nas entranhas,
e se cultivo o perdão,
as suas faltas tamanhas,
perdôo-as de coração.


Eu não consigo ocultar
a dor que aqui dentro sinto,
se a boca tenta negar,
meus olhos mostram que minto.


Deus excede a imensidão
dos campos, dos céus, dos mares,
mas cabe em teu coração
se humildemente O buscares.


Se meu presente é tão bom,
eu devo muito ao passado,
ele foi que deu meu tom,
e me manteve afinado.


Somente tenho singrado
em águas rasas, serenas,
eu sou barco sem calado
e tenho velas pequenas.


Há certo tipo de amor
que a gente nunca se esquece:
na lembrança – morta a flor –
seu perfume permanece.








"Posso todas as coisas naquele que me fortalece"